40 comentários:
De jogo da sueca a 13 de Dezembro de 2008 às 11:03
Ora viva!

Em jeito de resposta aos vários comentários que já aqui foram escritos, tenho de concordar que é um erro fazer generalizações.

O título do post é exagerado. Mas se é verdade que não podemos generalizar, também não deixa de ser verdade que não se pode particularizar a uma única pessoa o atentado à pedagogia que se vê neste exercício: o autor do exercício é só um, mas o livro tem de ter a aprovação de editores e tem de ser adoptado por professores. Até chegar à mão de um aluno existe a aceitação de muitas pessoas.

A última coisa que pretendo neste post é criar uma "guerra" Portugal vs Brasil.

A intenção é picar os vários leitores brasileiros para eles próprios dizerem o que acham sobre o assunto.

Eu como português senti-me ofendido neste exercício. E acho que é essa a reacção normal em qualquer português.

Mas a verdade é que não nos devemos reduzir a isso. Pensando com frieza, chego à conclusão que quem criou este exercício não deve ser julgado por ser preconceituoso. Deve antes ser julgado pelo facto de não saber onde começa o preconceito.

O autor deste livro é seguramente a pessoa mais interessada no êxito do livro. E não acredito que quis ofender os portugueses. Simplesmente nem se apercebeu que estava a fazê-lo.
De Thiago a 13 de Dezembro de 2008 às 14:27
Eu entendo que não foi intenção sua ofender. Não vejo problema algum no seu post, e eu sei que vc não quer realmente dizer que "brasileiros entendem pouco de pedagogia" :)

O que eu não gostei foi de ver certos comentários que foram ditos de forma séria, como os três primeiros ("que atrasados", etc.). Eu entendo que esse tipo de resposta não muito simpática seja algo natural numa situação dessas, e que provavelmente não são pessoas preconceituosas de fato, mas é preciso tomarmos cuidado, ou cairemos no mesmo erro do autor do livro.

Eu achei graça da figura (afinal, não é o MEU brio nacional que está em jogo ;P), mas por outro lado achei ridículo do ponto de vista pedagógico. Não exatamente pelo "são portugueses", mas por ensinar a garotada a raciocinar baseados em estereótipos, como o carinha do bigodão ser português, o sujeito de boné ouvir música no último volume, ou o casal bem vestido almoçar fora todos os dias, e por aí vai... isso é atrelar a mente e condicionar o aluno a desenvolver idéias preconcebidas.
De Sinhor troglodita a 13 de Dezembro de 2008 às 14:27
Pedro,

Em ultima instancia concordo contigo.
Podemos tirar uma conclusão e levantar uma questão , antes de partirmos para julgamentos precipitados :

1. O autor agiu de acordo com a imagem que tem da cultura portuguesa.

2. O que andam os portugueses a fazer? ainda não conseguimos actualizar a nossa imagem junto do Brasil.

Sobre as traduções brasileiras e portuguesas.. Aqui está mais um exemplo importante do acordo ortográfico. Se levado seriamente talvez possamos esbater essas diferenças e para além das particularidades de cada povo, beneficiar de uma cultura comum, lusófona.
De Thiago a 14 de Dezembro de 2008 às 02:37
Não é bem assim. Nós sabemos que a imagem do português bigodudo padeiro/dono de boteco é só uma imagem estereotipada. A gente até brinca com essa imagem, mas nós sabemos que ela não passa de um estereótipo.

Sobre o acordo... eu não gosto muito dessa idéia. A língua é antes de tudo, um fenômeno cultural. Quem a inventa (e a RE-inventa, também) somos nós, o povão. O português de cada país tem suas diferenças porque são culturas diferentes, povos que tem cada um sua identidade própria. Unificar a gramática dos vários países que falam português mundo afora valorizaria nossa lusofonia, mas também passaria inevitavelmente por cima dessas peculiaridades culturais. Seria uma aproximação meio antinatural, na minha opinião.

Como a tecnologia e a globalização já estão fazendo do mundo um lugar menor, acho que poderíamos aproximar mais nossas culturas de uma forma mais natural e eficiente que se um punhado de doutores ditassem um conjunto de normas gramaticais a serem seguidas por todos. E aí sim, a partir dessa proximidade cultural maior, caso ela venha a ocorrer, criar uma gramática única para brasileiros, portugueses, angolanos, etc.
De Sinhor Troglodita a 14 de Dezembro de 2008 às 12:15
Viva Tiago,

Concordo com a tua visão No entanto desde sempre a língua tem sido alvo de alterações . Mais repara, há uns anos atrás (inicio do séc. XX) também passámos por isto em Portugal. Pharmácia passou a escrever-se farmácia, abysmo - abismo , e por aí fora... Também nessa altura se criticaram as alterações "fabricadas". Actualmente fazem de tal forma parte de nós que ninguém as põe em causa.

Creio (e espero) que o objectivo do acordo seja mais encontrar um terreno comum do que esbater as diferenças do português de cada país. E espero também que seja uma forma de salvar o português de divergir para formas incompreensíveis entre cada povo falante. O facto de sermos muitos e espalhados por todos os continentes a falar dá-nos peso cultural e económico e politico. Se assim não fosse o que levaria um Sueco a querer aprender português ?

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